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Governo e associação de agências de viagem querem aquecer o turismo

Governo e associação de agências de viagem querem aquecer o turismo

Cláudia Dantas, Jornal do Brasil

 

BRASÍLIA - A crise econômica mundial passará longe do turismo nacional, caso o Brasil invista mais no mercado interno. Essa é a percepção do ministro Luiz Eduardo Barreto, que abriu nesta quarta-feira a 36ª Feira das Américas Abav 2008 e anunciou programa de promoção do mercado interno, em parceria com a Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav).

Segundo o ministro, investir no turismo doméstico no atual momento pode ser o grande desafio para o setor fazer frente à crise internacional e não perder negócios. A expectativa do ministério é de que o Brasil encerre o ano com um receptivo de quase 5 milhões de turistas, que movimentarão mais de US$ 6 bilhões em divisas. Até agora, o setor já registrou US$ 4,9 bilhões contra US$ 4,3 bilhões em 2007.

– O patamar do dólar, a R$ 2,20, é um atrativo a mais para o turista estrangeiro, e o produto “Brasil” é uma excelente oportunidade de venda no curto prazo para este segmento – avaliou Barreto, que garante que o presidente Lula está sensível ao problema e conta com uma equipe econômica atuante, lastro de reservas cambiais e fundamentos macroeconômicos sólidos, que protegerão o país. No entanto, Barreto não descarta a possibilidade de haver reflexos e, por esse motivo sustenta que o agente de viagem precisa estar atento à nova oportunidade comercial.

– Há cinco anos, o orçamento do ministério era de R$ 377 milhões, e hoje os recursos aumentaram para 2,7 bilhões. Isso demonstra claramente que o presidente Lula se propõe a expandir as políticas públicas dedicadas ao setor – completou Barreto, ao ressaltar que o turismo é um grande gerador de empregos no país e emprega 6 milhões de pessoas.

Outra iniciativa do governo federal voltada ao setor é o Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), verba destinada aos Estados brasileiros que apresentem projetos de expansão ou inovação no segmento, para corrigir gargalos de infra-estrutura ou qualificação profissional. Nesta quarta-feira, o ministério do Turismo anunciou a parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que vai emprestar US$ 1 bilhão aos Estados brasileiros.

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, aproveitou a ocasião e entregou projeto ao ministério a fim de requisitar o empréstimo. Na avaliação de Aécio, Minas Gerais pode contribuir bastante para complementar o turismo nacional, hoje concentrado no litoral do país e que tem o Rio de Janeiro como porta de entrada.

– A visita às belezas litorâneas do país supera a casa dos 80%, mas nosso Estado é o berço histórico e da cultura brasileira e 60% do patrimônio cultural está em Minas. Portanto, acredito, os mineiros podem contribuir para dobrar o número de turistas que hoje visitam o Brasil – sustentou o governador Aécio, ao revelar que no próximo ano o Estado mineiro vai sediar a Feira das Américas.

Para o presidente da Abav, Carlos Alberto Amorim, os gargalos estruturais são os principais problemas com que o setor se depara atualmente, como a revisão e a reforma de toda a infra-estrutura aeroportuária e das estradas brasileiras, a malha aérea e o treinamento de pessoal. Segundo Amorim, até 2015 serão 500 novos aviões em circulação, e a perspectiva de sediar dois grandes eventos internacionais também – Copa do Mundo (2014) e a disputa para sediar as Olimpíadas 2016 – trazem à tona a premência dos investimentos em obras substanciais para receber cada vez mais turistas.

Segundo o ministério do Turismo, hoje 21 Estados brasileiros já se beneficiam do Prodetur, e o presidente Lula e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, só aguardam a decisão das cidades que sediarão a Copa do Mundo para liberar recursos do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), exclusivo ao turismo, para as regiões metropolitanas.

– Vamos superar nossos gargalos. Serão grandes investimentos de mobilidade urbana, segurança, entre outros. O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, por exemplo, é um deles. O presidente está convicto de que a política de concessão do Galeão é uma boa saída, mas a reforma do aeroporto vai acontecer, o que, por si só, já representa um grande avanço para o setor – defendeu o ministro.

[22:31] - 22/10/2008
 
 
 
 
 
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
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